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sábado, 8 de janeiro de 2011

Entrelinhada Mente, por Hebert Ramon




Big Brasil

Vejam
É noite de discussão
Ele vai ganhar, ela vai perder
Quem vai pro paredão ?

Ouçam
O barulho dos cochichos
E dos risos falsos que vos rodeia
Bom, bom, bom é BBB
Você caiu na teia

Caiu também num mundo sem...
Sem muita coisa a mostrar
Belas, maquiagens, máscaras de enganar
Fruto da sua audiência

Caro telespectador
Cadê o bom gosto?
Que falta de ética
Desculpa, esqueci que é um jogo

Pois joguem suas cartas
Dêem asas as baratas
E fiquem no jogo
Que o Brasil nisso é bom

Jogar fora a cultura, o tempo
E o dinheiro que apura
Burrice ou um dom?
Não sei não

Peço desculpas pelo comentário
Pela falta de educação
Não nego a origem
Sou brasileiro de coração

 
* * *

sábado, 1 de janeiro de 2011

A Classe Artística da Feira Central

Por trás de uma barraca de carnes e miudezas, reside escondido nos interiores da Feira Central o ponto que antigos e novos boêmios, poetas anônimos de cantoria popular e cidadãos comuns freqüentam costumeiramente à procura de um pouco de diversão e despreendimento do dia-dia. Engana-se quem imaginou alguns dos famosos cabarés que deram contornos românticos de outrora e tons marginais atualmente. O local em questão é o Bar de Teresa. Estável naquele local já há um bom tempo, tão certo como missa dia de domingo, são os repentistas que descompromissados, vão ao local cantar suas redondilhas improvisadas à espera de um público minguado, na maioria das vezes compostos de amigos e colegas de profissão (e lógico, alguns bêbados desavisados), na mais complexa arte de musicar sem ensaio, melodias ternas e sinceras sobre causos e contos da vida cotidiana, em um ping-pong que nos fazem abrir um sorriso sincero frente às rimas construídas espontaneamente.
 
Vindos normalmente de uma criação sem fartos bens-materiais, sertanejos antes de tudo, muitos dos repentistas começaram suas vidas artísticas ainda quando crianças, tocando em bares e cabarés da vida acompanhando os país ou amigos nas bandas. Sem ensino fundamental sequer finalizado, aprenderam o oficio na mais simples arte da prática e do esforço mental. Diferente dos outros tempos, todos os repentistas hoje não tocam na aventura de ganhar um trocado e conseguir viver com esse dinheiro o resto do dia. Todos hoje, principalmente os mais velhos, são ou aposentados ou quando fazem apresentações, normalmente são em eventos patrocinados, onde tem sua verba garantida sem preocupação nenhuma se vai ser o suficiente ou não para comprar um prato de comida, como antigamente.

Enfurtados numa pequena sala de bar, vendendo CDs e DVDs com suas obras completas, esperando conseguir mais do que uma simples cerveja paga pelos clientes, digladiam-se dois repentistas entrando verso e saindo verso, embolados pelo som da viola que nos remetem às cidadelas do interior nordestino, contando e cantando folclores, amores perdidos e brigas enfrentadas, sempre em primeira pessoa, ora zoando ora louvando o outro seja pela sua bravura ou sua covardia no momento relatado. Simpáticos, seja pela conveniência de agradar o ouvinte ou pela natureza pessoal, tentam tornar o ambiente agradável, improvisando nas letras palavras de honra e carinho aos visitantes não acostumados ao ambiente novo.

Obs: Esse textículo é um breve relato sobre as impressões e rápidas conversas tidas com os repentistas da aérea no dia da minha visita a Feira Central de Campina Grande. O clima e o ambiente em desgaste da área preservam, acima de tudo, a dignidade dos artistas que tocam somente pelo prazer do ofício, sem grandes ambições artísticas.

Os Pecados de Hollywood

Texto publicado originalmente na Revista Claquete #1

Foi confirmado há algumas semanas atrás o reinício da franquia Homem-Aranha, com novo elenco e direção, programado para estrear ainda em 2012. A trilogia original, com Tobey Maguire no papel de Peter Parker e Sam Raime como diretor, foi um sucesso de crítica e público, conquistando os três filmes mais de 1 bilhão de dólares na bilheteria. Mas não somente a isso se restringe o legado do aracnídeo. Graças a ele uma nova fase na cultura pop foi dada largada. A dos filmes baseados em quadrinhos sem ter que desvirtuar a obra original para ter que agradar aos leigos, tendo seu ápice atingido com Batman – O Cavaleiro das Trevas.

Mas o ponto central deste artigo não trata sobre espólios e bilheterias. E sim sobre Hollywood. Mais precisamente como a indústria cinematográfica americana destrói legados de filmes impecáveis com suas seqüências, se atrofia em criatividade e abusa do talento de jovens cineastas se aproveitando de seu nome para gerar um hype em cima da obra. E a retomada da franquia Homem-Aranha contém todos esses elementos ditos acima.

A História do Cine São José

Texto publicado originalmente na Revista Claquete #1


Cine São José, no seu auge: Cinema de bairro que marcou época na cidade
A Família Wanderley tinha grande tradição no ramo de salas cinematográficas. Desde o início do século XX vinha arredando terrenos e construindo um império de cinemas na Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco. Seu ponto de largada se deu com Olavo Wanderley, que chegou em João Pessoa em 1932 e junto com seu sogro montam o Theatro Santa Roza, o primeiro cinema falado do Estado. Pouco tempo depois, com o lucro conquistado pelo teatro, fundam a Cia. Exibidora de Filmes e entram de vez no mercado de salas cinematográficas.

Em 1934 inauguram em Campina Grande o Cine Capitólio, no centro da cidade. O novo cinema era considerado o melhor do estado e com capacidade de atender quase mil espectadores. No dia 20 de novembro dá inicio as atividades com o filmes Cavadores de Ouro, de Marvey LeRoy.