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sábado, 1 de janeiro de 2011

A Perigosa Relação do Crack no Viciado

Alertado em todos os meios médicos e psíquicos sobre o perigo, o consumo do crack no Brasil só faz aumentar e a transformar seus usuários em flagelos humanos.

Já é um consenso entre médicos, policiais e pessoas especializadas na área de saúde química: o crack é o mal da década. Destruindo lares e pessoas, físicas e mentalmente, o crack chegou ao século XXI popularizado pelo seu preço baixo e acessível (10 reais) a todas as camadas sociais, tornando os usuários reféns do vício e dos traficantes, fazendo com que os usuários pratiquem desde pequenos delitos em casa à prostituição para sustentar o vício. Sem escolher sexo, gênero ou raça, o crack por onde passa deixa um rastro de devastação. Em Campina Grande não seria diferente. Apreensões diárias são feitas em bocas-de-fumo, mas a guerra contra as drogas é difícil e complexa. O que resta de esperança são as clínicas de recuperação para tratamento. O CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) que desde 2005 atua com viciados em álcool, crack e outras drogas, é um dos pontos de referência no tratamento por se diferenciar de outras clínicas psiquiátricas, ao não impor ao paciente a presença no local. Nessa entrevista com o psicólogo Sérgio Máximo Vieira, 34 anos, chefe da equipe médica do CAPS há dois anos, conversamos sobre a polêmica política de redução de danos, o sistema de saúde, o perigo da droga, aonde ela atua e sobre o tratamento médico.

Por que o crack é a mais devastadora de todas as drogas?
O crack e outras drogas que estão surgindo agora, que pensava-se ser sub produto do crack oriundo da Argentina, como o paco, mas descobriu-se que não é, estão causando uma dependência muito rápida nos usuários, o efeito dela é muito rápido e o usuário quer consumir cada vez mais a droga. É uma droga que falseia certos estímulos. Então, o paciente que chega aqui tendo sido usuário de crack não tem fome, não tem sono, preguiça, pelo contrário, fica bem ativo e na verdade alguns criam ate coragem de cometer alguns delitos. Por isso eles costumam se viciar muito rápido no crack e a porta de entrada para isso tudo ainda é o álcool. A maioria de nossos usuários é dependente de álcool. E a partir disso, por motivo de curiosidade ou amizade, começam a entrar no crack, alguns fazem uso do mesclado – que é a mistura da cannabis com o crack – e essa dependência hoje na Paraíba é muito crescente, muito grande. A gente começa a ver isso pelo interior do nosso estado. E as pessoas se  viciam muito rápido.