sábado, 16 de abril de 2011

Vidas Secas e a Tragédia como algo Inevitável



  Título: Vidas Secas
Direção: Nelson Pereira dos Santos
Elenco: Maria Ribeiro e Atila Iorio
Duração: 1h40
Roteiro: Nelson Pereira dos Santos,
baseado na obra de Graciliano Ramos
Ano: 1963








 

 

Explorado pelo patrão, explorado pelo Estado – seja por meio de impostos ou pelo abuso de autoridades que deveriam lhe proteger – assim vai sobrevivendo o vaqueiro Fabiano no sertão nordestino. Enfrentando com inocência todos os desatinos que a vida lhe impõe. Analfabeto e ignorante perante os seus direitos, só lhe resta pacificamente sofrer na exploração patronal e agüentar calado a tortura injustificada comandada por um policial que se sentiu desacatado quando abandonado no carteado por Fabiano, seu parceiro de jogo. Numa terra bruta, só é ouvido com parcimônia aqueles que com brutalidade te tratarão.

Para chegar a esse tipo de vida o caminho foi árduo. Percorrendo milhas e milhas de terra quente sob o sol infernal, Fabiano, sua esposa Sinhá Vitória, seus dois filhos e a cachorra Baleia comeram o pão que o Diabo amassou. Ou nem isso...

Grafite in CG



A Cidade é pequena, mas é recheada de artistas. Os locais são poucos e disputados, mas visualmente deslumbrantes. A pixação ainda toma conta do ambiente, mas o Grafite consegue espaço nas paredes. Ninguém ajuda, mas continuam fazendo. A arte de rua é nova, mas bastante heterogenea. Tem de tudo: do já citado pixo e grafite, aos stickers e stencils.

* Abaixo, selecionei com minha imparcialidade visível (tsc) alguns dos principais grafiteiros da cidade. Quem tiver mais imagens de outros artistas, coloquem nos comentários o link, para assim seguir atualizando o post.

Jed - @jeduzstk



Raoni, AKA Zeca - @vulgozeca - Blog Raoni Oliveira




Sponja - Orkut




Celo & Thaynara - @_ThaynhA_


Rene, AKA z-nokmorb

Z-Nokm e Gorpo
 

Equipe UZS Crew - sagaz, fatos, znok, bomb

Jornalismo e Literário


O Jornalista do Futuro será um Macaco Esperto
Nas duas últimas décadas os teóricos da comunicação do mundo inteiro assistiram assombrados às mudanças pelas quais o mundo estava passando. Não se tratava de revoluções armadas, ou de novas Constituições, mas da simples atestação de que o que Marshall McLuhan previra três décadas antes enfim se concretizava: o mundo estava totalmente coberto por uma espécie de rede invisível, uma rede capaz de unir os lugares mais remotos do planeta através da comunicação. Não havia mais fronteiras, agora o próprio meio era a mensagem.

Para que o leitor entenda melhor este assombro, basta dizer que, à sua época, McLuhan foi visto pela grande maioria como um visionário. Realmente não era fácil conceber tal idéia, ainda mais num mundo bipolar e tenso, cheio de espiões matando por informações secretas. Na verdade tratava-se de uma profecia assustadora, podia-se até pensar que perderíamos nossa privacidade, nossa liberdade para fazer qualquer coisa sem sermos vistos. Mas o tempo passou e o pensamento apocalíptico migrou das questões simples para as mais arrojadas teorias. Hoje McLuhan é um dos teóricos mais estudados pelos comunicólogos e tem gerado debates inesgotáveis que tratam, sobretudo, de como o homem se comporta nesta nova conjuntura.

As Mulheres Nuas de Campina Grande
(...)Os primeiros cães surgiram no topo da ladeira, logo seguidos por vários policiais que corriam em debanda, como fugissem à própria morte. As pessoas da rua apenas olhavam, estupefatas, as dezenas de mulheres e homens fardados caindo uns por cima dos outros, rolando ladeira abaixo agarrados aos seus cães. Por trás deles, as primeiras silhuetas confusas pelo Sol das cinco da tarde solucionavam o mistério: eram mulheres nuas. Moças, senhoras de idade, gordas, magras, pretas, brancas, amarelas, azuis, dezenas, centenas de mulheres correndo nuas em pêlo. Saltavam por cima dos policiais, chutavam os ciclistas e os derrubavam, embrenhavam-se entre as barracas de cominho e cheiro-verde...

Daniel Magalhães é jornalista, escritor, frequentador do famigerado Escritório, agitador cultural do curso de Arte & Mídia e dono do blog Olmo do Leste

sábado, 5 de março de 2011

É Carnaval!



Siba e a Fulouresta - A Bagaceira
"Não quero fantasia/ Vou me vestir como der/ Num dia eu melo a cara
O outro eu vou de mulher/ Pra enganar a fome não quero espeto da praça
Dou um chupão no Gellys e o tira-gosto é cachaça/ Eu não fico legal com água mineral
Pode acabar-se o mundo/ que eu vou brincar carnaval"




Chico Buarque - Vai Passar
"E um dia, afinal/ Tinham o direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia que se chamava carnaval/ O carnaval, o carnaval
Vai passar,/ Palmas pra ala dos barões famintos
O bloco dos napoleões retintos/ e os pigmeus do boulevard"




"Deixa eu brincar de ser feliz,
Deixa eu pintar o meu nariz"



Jorge Ben - Amor de Carnaval
"Eu chorei quando acabou o carnaval, chorei
Pois eu sou muito sentimental
Amor de carnaval é fantasia
E dura pouco, só dois dias"


sábado, 26 de fevereiro de 2011

E Bonita por Natureza



Fotos de Nathalia Quintella 
Jornalista e fotógrafa.

Para conhecer mais, visite:
Twitter: @pin_nah_up






A Propaganda é a Alma do Negócio



"Como pode a propaganda ser a alma do negócio
Se esse negócio que engana não tem alma
Vendam, comprem
Você é a alma do negócio"


Depois da indústria de armas e do Comunismo, o cigarro foi a principal causa de morte das pessoas durante o século XX. Com um bem preparado programa de marketing por trás, o tabaco conseguiu convencer milhares de pessoas a e experimentar e sentir o “gosto” suave da fumaça. Hoje é praticamente impossível você não encontrar ninguém fumando no meio da rua, apesar de todos os já conhecidos malefícios que elas trazem a saúde.

Graças a uma política pública que começou na Europa, o cigarro é praticamente banido em lugares fechados, como bares, restaurantes, lojas, fábricas e etc. Apesar das inúmeras críticas de taxarem essa proibição de fascista, por ser uma interferência do estado na vida particular das pessoas.

Mas nem sempre foi assim.

Programa do Jô e as entrevistas perdidas



Escrito há 3 anos para trabalho acadêmico. O conteúdo é antigo, mas o crítica ainda é atual. Boa leitura.

* * *

O Programa do Jô, exibido de segunda à sexta nas madrugadas da Rede Globo, logo após o Jornal da Globo contou na noite desta segunda-feira (02 de junho de 2008), com as presenças do cantor Lulu Santos e da cineasta Lílian Santiago.

Com o visual do seu programa idêntico ao talk-show norte-americano de David Letterman, o ator e comediante Jô Soares vem perdendo seu público fiel e sendo destratado pelos críticas graças as já não tão engraçadas piadas contadas diariamente e oportunidades perdidas com os entrevistados, fazendo perguntas triviais e de pouco interesse para todos, sem contar o fato de sua “arrogância” não deixar, por muitas vezes acontecidas, o entrevistador falar. A audiência já não é mais a mesma. Tempos atrás chegou a ficar em segundo lugar ao competir com o medíocre programa de João Kleber.

O Dorminhoco (Sleeper, 1973)




O futuro não é como imaginávamos. 2173, esse é o ano em que Miles Monroe acorda após 200 anos de sono profundo, depois de fazer uma mal-sucedida operação na úlcera que de uma forma muito bizarra o manteve congelado por todo esse tempo. O mundo vive em uma sociedade autoritária, onde pessoas são manipuladas e passam o dia assistindo programas de cunho ideológico. Governados por um ditador genocida, O Grande Líder, que mata os intelectuais e todos que ousam se proclamar contra a sua vontade, Monroe surge como uma salvação para um pequeno grupo de cientistas que resolve descongelá-lo para ajudar a Resistência e desestabilizar o Projeto Aires – um plano secreto do governo a qual temem ser prejudicial à Resistência. E já que Monroe não tem digitais guardadas nos arquivos do governo – graças a uma guerra nuclear que destruiu quase tudo há 100 anos – ele é considerado pela Resistência o elemento perfeito.

O problema é que Monroe (Woody Allen) é um completo covarde, o típico nerd de meia idade com conflitos, dúvidas existenciais e, claro, problemas com mulheres. Praticamente o mesmo personagem que Woody Allen interpreta em todos os seus filmes, seu alter-ego irônico. Neste filme, na qual mais uma vez dirige, escreve, estrela e compõe a trilha sonora, ele faz de Monroe mais um líder que não quer ser o herói de uma revolução, tal qual em Bananas, seu filme anterior.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

5 Momentos Inesquecíveis do Oscar



Marlon Brandon recusando o prêmio de Melhor Ator por O Poderoso Chefão (1972). Porém, a estatueta não ficou em mãos vazias. Em seu lugar, Brandon enviou uma índia Apache para discursar contra o tratamento dado pelo governo americano aos nativo americanos que estão com suas tribos ameaçadas.


Link Alternativo http://www.youtube.com/watch?v=2QUacU0I4yU

Miséria, Fome e Desgraça



Nas ruas de Campina Grande tem aumentando exponencialmente o número de indigentes e moradores de rua. Já está se tornando parte do ambiente se deparar com mendigos pedindo esmolas nas portas de igrejas ou em calçadas movimentadas no centro da cidade. Diferente das grandes cidades, o número não é assustador. Mas para uma cidade do porte de Campina já é muita coisa. Muitos deles são deficientes físicos e foram abandonados pelas famílias (seja por morte ou simples descaso), além dos que tem filhos e os colocam para "trabalhar" também pedindo esmola. Abaixo uma seleção de fotos que expõe de forma crua a dura realidade dessas pessoas.



Manifesto Estética da Fome




Em 1965, Glauber Rocha resolve apresentar ao mundo um manifesto sobre o cinema latino americano. Sem parecer um estudo acerca dos filmes que até então compunha o panorama cinematográfico da epóca, Glauber prefere abordar sobre a estética e delimitar como deveriam ser então apresentados os filmes latino-americanos. Um ano antes de ter escrito o texto, Deus e o Diabo na Terra do Sol era lançado causando polêmica num país já as portas de um golpe militar e estremecendo Cannes em sua estréia que quase foi cancelada. Inspirado no ainda não-escrito manifesto, Deus e o Diabo serviu de exemplo estético de como se fazer cinema na América Latina no Terceiro Mundo para muitos.

O Cinema Novo, que estava dando seus primeiros passos desde Aruanda (1960), agregou Glauber como ícone e graças a ele o Brasil começa a escrever seu nome na história cinematógrafica. Assim como todo o perído dos agitados anos 60, o Cinema Novo tinha uma conotação Política pesada. De teor de esquerda, junto com a Nouvelle Vague francesa e o Neo-realismo italiano abordaram questões sociais e mazelas naturais e políticas de seus países produzindo obras-primas da sétima arte.

Abaixo, leiam o polêmico Manifesto da Estética da Fome retirada do blog Nueztra Ameryka, com introdução do crítico Ismail Xavier.


* * *


Estética da Fome – ou Estétyka da Fome, como Glauber preferia grafar esse texto fundamental para a compreensão do projeto cultural dos cineastas brasileiros nos anos 60, projeto comum a vários cineastas da América Latina naqueles anos e que eclode como texto fundador na dialética Cinema e América Latina, rumo a uma integração do continente latinoamericano, numa via onde estética não se diferenciava de política.

Da fome. A estética. A preposição da, ao contrário da preposição sobre, marca a diferença: a fome não se define como tema, objeto do qual se fala. Ela se instala na própria forma do dizer, na própria textura das obras [...] passa a ser assumida como fator constituinte da obra, elemento que informa a sua estrutura e do qual se extrai a força da expressão, num estratagema capaz de evitar a simples constatação (somos subdesenvolvidos) ou o mascaramento promovido pela imitação do modelo imposto (que, ao avesso, diz de novo somos subdesenvolvidos).
(De um comentário de Ismail Xavier).

* * *

A Estética da Fome foi originalmente apresentada em 1965, durante as discussões da Resenha do Cinema Latino-Americano de Gênova, naquele ano dirigidas pelo tema "O paternalismo do europeu em relação ao Terceiro Mundo" – e por aí já se pode verificar o quão incisivas eram suas propostas. Como explica Arnaldo Carrilho: No texto se encontrava algo a mais que a denúncia das misérias latino-americanas – prato suculento para o humanismo colonizador. Encontrava-se aqui enunciado, e anunciado, de maneira clara e irrefutável, o conceito de arte revolucionária, essência da cultura do Terceiro Mundo. Encontrava-se definida a força criadora do delírio da fome, única forma de compreensão desta cultura.

O artigo foi publicado pela primeira vez por aqui na Revista Civilização Brasileira (número 3, julho de 1965), tendo circulado por vários países e sendo revisada pelo próprio Glauber, alterações que visavam clarear suas idéias. Abaixo o artigo completo.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A Maldição de Atuk



John Belushi
Atuk é o mais infâme roteiro produzido em Hollywood por supostamente ser amaldiçoado e, ao menos em partes, responsável pela morte de grandes comediantes nos anos 80 e início dos anos 90. A Maldição de Atuk se tornou uma das mais conhecidas lendas urbanas de Hollywood.

Sua primeira "vítima", supostamente, foi John Belushi (Os Irmãos Cara de Pau, Clube dos Cafajestes), que leu o roteiro e foi imediatamente bastante entusiasta em pegar o papel principal de Atuk. Poucos dias depois, ele foi encontrado morto no seu quarto de hotel, após uma overdose de cocaína e heroína em 1982.

Sam Kinison
Logo após a morte de Belushi, o papel principal foi oferecido ao comediante stand-up Sam Kinison (Tales from the Krypt, De Volta as Aulas), que o aceitou em 1988. Kinison chegou a filmar uma cena do filme antes de se mostrar insatisfeito com o scrip e mandar ser alterado algumas partes, adiando a produção por alguns meses, para logo depois abandonar o projeto. Seu abandono levou a companhia a abrir um processo contra ele. Não muito tempo depois, enquanto entrava num acordo para retornar ao projeto, Kinison morre em um acidente de carro em 1992.

Campanha Antitabagismo

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Entrevistas e Documentários WikiLeaks



Em tempo, a jornalista Natália Viana, que trabalha para o WikiLeaks no Brasil, realizou uma entrevista com Julian Assange no seu blog. Com perguntas enviadas por internautas, foram selecionadas 12 para serem respondidas pelo polêmico jornalista. Abaixo um trecho da entrevista e para ler a entrevista completa, clique aqui.
*
“Não somos uma organização exclusivamente da esquerda. Somos uma organização exclusivamente pela verdade e pela justiça”. Essa é apenas uma das muitas afirmações feitas pelo fundador e publisher do WikILeaks, Julian Assange, em entrevista aos internautas brasileiros. (...) Julian, que enfrenta um processo na Suécia por crimes sexuais e atualmente vive sob monitoramento em uma mansão em Norfolk, na Inglaterra, concedeu a entrevista para internautas que enviaram perguntas a este blog. Eu selecionei doze perguntas dentre as cerca de 350 que recebi – e não foi fácil. Acabei privilegiando perguntas muito repetidas, perguntas originais e aquelas que não querem calar. Infelizmente, nem todos foram contemplados. Todas as perguntas serão publicadas depois.

Julian Assange

Tragam-me a Cabeça de Julian Assange



Desde que começou a divulgar documentos secretos vazados da diplomacia norte-americana, Julian Assange, fundador do Wikileaks, tem atraido a ira da extrema-direita americana que nas várias ocasiões que puderam se manifestar não mediram palavras para demonstrar seu ódio perante tal afronta e audácia. Nas quais muitas vezes incitaram a violência física, ameaçam-o de prisão e até mesmo de assassinato.

Em prisão domiciliar na Inglaterra desde o fim de 2010, Assange está temeroso de ser extraditado para os Estados Unidos, pois teme ser morto ou condenado a morte oficialmente pelo governo devido as inúmeras declarações desejando a sua cabeça. O que muitas vezes pode ser tratado como simples caso de paranóia de um perseguido internacional, é respaldado pelas incontáveis frases ditas por personalidades fortes do governo, do jornalismo e da diplomacia.


RALPH PETERS (Tenente-Coronel do Exercíto Americano e escritor)
"Julian Assange é um cyber-terrorista em tempo de guerra, ele é culpado de sabotagem, espionagem e crimes contra a humanidade - ele deveria ser morto, mas não fariamos isto"

"Eu não acredito em vazamentos. Eu executaria vazadores. Eles estão traindo nosso país"

sábado, 8 de janeiro de 2011

Entrelinhada Mente, por Hebert Ramon




Big Brasil

Vejam
É noite de discussão
Ele vai ganhar, ela vai perder
Quem vai pro paredão ?

Ouçam
O barulho dos cochichos
E dos risos falsos que vos rodeia
Bom, bom, bom é BBB
Você caiu na teia

Caiu também num mundo sem...
Sem muita coisa a mostrar
Belas, maquiagens, máscaras de enganar
Fruto da sua audiência

Caro telespectador
Cadê o bom gosto?
Que falta de ética
Desculpa, esqueci que é um jogo

Pois joguem suas cartas
Dêem asas as baratas
E fiquem no jogo
Que o Brasil nisso é bom

Jogar fora a cultura, o tempo
E o dinheiro que apura
Burrice ou um dom?
Não sei não

Peço desculpas pelo comentário
Pela falta de educação
Não nego a origem
Sou brasileiro de coração

 
* * *

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

The Mindscape of Alan Moore



Neste longa metragem produzido pela Shadowsnake Films, no ano de 2003, narra a vida e obra de Alan Moore, aclamado autor de vários romances gráficos, incluindo From Hell, Watchmen e V for Vendetta. Alan Moore apresenta a história de seu desenvolvimento como um artista, começando com a sua infância, partindo para o trabalho através de sua carreira nos quadrinhos e o impacto sobre esse meio. Alan Moore nos esclarece suas razões e seu interesse emergente em Magia. Uma mente singular.



quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Jesus na Era Digital



Por Fabricio Santana


Já passava do meio-dia, e Lúcia estava inquieta, porque seu filho Paulinho ainda não havia chegado da escola. Receosa, dirigiu-se ao telefone para comunicar o fato ao marido. Antes que ela chegasse ao aparelho, o garoto irrompe pela sala, demonstrando forte irritação.
 
- Ainda bem que você chegou, eu já estava ficando preocupada, meu querido!
Paulinho passou pela mãe sem cumprimentá-la, e se trancou no quarto. Sem entender o motivo daquela entrada brusca, Lúcia foi ao encontro do filho para saber o que havia acontecido.
- Paulo Roberto Júnior, abra a porta. Eu quero conversar com você. - Disse com a voz firme.

As Cores do Samba, por Nathalia Quintella



Para quem curtiu as Pin-Ups, agora um pouco de samba
Nathalia Quintella é jornalista e fotógrafa.

Para conhecer mais, visite:
Flicker: CoisasDaNaaah
Twitter: @Soi_CatriNah


Modelo: Ana Laura



Crise-Criativa




Escrito há dois anos numa crise criativa.


Sobre o que escrever? Tenho debatido comigo durante meses pela minha inércia na escrita, que ultimamente, e pior de tudo, tenho tomado consciência disto, de que está me faltando brilho, vontade e criatividade ao escrever. Principalmente se me for proposto (até por mim mesmo) um texto jornalístico. O que terá acontecido? O que ficou no meio do caminho? Não sei, além somente de ter algumas especulações e hipóteses infundadas. Pode parecer contraditório (em circuitos artísticos seria até oportunista) estar escrevendo sobre crise criativa ao escrever. Mas não. São textos que fluem direto da cabeça para o papel sem ter muito que labutar mentalmente. Quando me ponho em postos para escrever algo, já não era mais como antigamente, nos quais raciocínios completos e construções inteiras de texto perpassavam minha mente. Agora estou aqui no Teatro sem saber exatamente o que fazer, mas com certeza de que me meti numa fria.

O Problema seria uma Solução?



Com o recente aumento nas passagens de ônibus, publicarei um texto escrito há dois anos sobre uma alternativa viável para barrar de vez o aumento absurdo e anual que acontece aqui: a concorrência.





Há menos de cinco anos atrás uma celeuma se instalou na cidade e provocou o pânico nos empresários de ônibus. Indivíduos, trabalhadores informais, na sua maioria desempregados, resolveram tomar uma iniciativa, influenciada pelo que já ocorria em outras cidades grandes. Transformaram seus carros em táxis-mambembes e por um preço muito abaixo da média lotearam seus carros de passageiros e levavam de um ponto a outro da cidade em alguns minutos.

Por muito tempo criou-se uma guerra informal entre os Alternativos (eufemismo para Lotações) e os Regularizados (ônibus e táxi). Denúncias de irregularidades e falta de segurança permearam todo o debate e confronto. Ao fim, acabaram por se extinguir e agora só circulam entre viagens intermunicipais – aonde é mais fácil de barrar a fiscalização. Mas o ponto crucial foi omitido deliberadamente do debate. Os Alternativos são uma solução e não um problema. Simplesmente porque barrariam por um tempo o abusivo preço das passagens municipais nos ônibus.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Pense Nisso (1)

Frank Zappa

"Meu conselho para quem quer ter uma criança sadia e feliz é mantê-la o mais longe possível de uma igreja. Crianças são ingênuas e confiam em todo mundo. Escola já é ruim mas se levá-la para a igreja, então está querendo mesmo problemas."

"Droga não é o mal. A droga é um composto químico. O problema começa quando pessoas tomam drogas como se fosse uma licença para poderem agir como babacas."

"Se você acabar com uma vida tediosa e miserável porque você ouviu seus país, seus professores, seu padre ou alguma pessoa na televisão, dizendo para você como conduzir a sua vida, então a culpa é só sua e você merece."

"Existe mais canções de amor do que qualquer outro tipo. Se canções influenciasse as pessoas, amaríamos uns aos outros." 

"Jornalismo musical é gente que não sabe escrever entrevistando gente que não sabe falar pra gente que não sabe ler."

----------

Se gostou, veja, ouça e baixe:

Frank Zappa - Stinkfoot (ao vivo)





As Pin-Ups, por Nathalia Quintella

Nathalia Quintella é jornalista e fotógrafa.

Para conhecer mais, visite:
Twitter: @Soi_CatriNah

Modelos:  Nathalia Quintella
               Marina Franco
               Yaya Fragoso
               Thamara Lopes

-


sábado, 1 de janeiro de 2011

Parem as Máquinas! Será este o fim da Imprensa como nós conhecemos?

Não é somente a Indústria de Entretenimento que está paralisada perante a revolução que a Internet está causando neste inicio de século XXI. Os meios de comunicação de massa estão passando pelo mesmo problema. Mas de uma forma um pouco diferente. Enquanto a indústria de entretenimento vê a Internet como inimiga a ser destruída, os meios de massa estão usando como uma nova forma de fazer jornalismo. Agregando rádio, tv e impresso em seus websites contando também com abordagens diversificadas, diferentes do seu conteúdo oficial.

Porém, apesar desses benefícios, os meios de massa, tal qual a indústria de entretenimento, ambas vem amealhando algo em comum com a Internet: prejuízo. Enquanto este vem perdendo bilhões de cifrões por ano – contudo conta com apoio legalista constitucional para tentar minimizar e combater a pirataria e os arquivos para downloads, e ainda em alguns países projetos de lei vem dificultando a vida do usuário com penas jurídicas para barrar a baixa de arquivos – aquele não tem como frear a concorrência do conteúdo livre disponibilizado por concorrentes do ramo ou por usuários qualquer da web, restando somente a se adaptar aos novos ventos. Ventos estes que estão decretando em alguns casos o fim de tradicionais jornais de relevâncias em seus grotões, principalmente nos EUA aonde já começou em processo lento este declínio, com quedas nas circulações e receitas. Problema este que afeta a todos no ramo em todos os países.

Alguns afirmam com veemência, mas ainda é cedo – e presunçoso – demais ao decretar o fim do jornalismo impresso. Contudo, medidas já estão sendo tomadas.


A Perigosa Relação do Crack no Viciado

Alertado em todos os meios médicos e psíquicos sobre o perigo, o consumo do crack no Brasil só faz aumentar e a transformar seus usuários em flagelos humanos.

Já é um consenso entre médicos, policiais e pessoas especializadas na área de saúde química: o crack é o mal da década. Destruindo lares e pessoas, físicas e mentalmente, o crack chegou ao século XXI popularizado pelo seu preço baixo e acessível (10 reais) a todas as camadas sociais, tornando os usuários reféns do vício e dos traficantes, fazendo com que os usuários pratiquem desde pequenos delitos em casa à prostituição para sustentar o vício. Sem escolher sexo, gênero ou raça, o crack por onde passa deixa um rastro de devastação. Em Campina Grande não seria diferente. Apreensões diárias são feitas em bocas-de-fumo, mas a guerra contra as drogas é difícil e complexa. O que resta de esperança são as clínicas de recuperação para tratamento. O CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) que desde 2005 atua com viciados em álcool, crack e outras drogas, é um dos pontos de referência no tratamento por se diferenciar de outras clínicas psiquiátricas, ao não impor ao paciente a presença no local. Nessa entrevista com o psicólogo Sérgio Máximo Vieira, 34 anos, chefe da equipe médica do CAPS há dois anos, conversamos sobre a polêmica política de redução de danos, o sistema de saúde, o perigo da droga, aonde ela atua e sobre o tratamento médico.

Por que o crack é a mais devastadora de todas as drogas?
O crack e outras drogas que estão surgindo agora, que pensava-se ser sub produto do crack oriundo da Argentina, como o paco, mas descobriu-se que não é, estão causando uma dependência muito rápida nos usuários, o efeito dela é muito rápido e o usuário quer consumir cada vez mais a droga. É uma droga que falseia certos estímulos. Então, o paciente que chega aqui tendo sido usuário de crack não tem fome, não tem sono, preguiça, pelo contrário, fica bem ativo e na verdade alguns criam ate coragem de cometer alguns delitos. Por isso eles costumam se viciar muito rápido no crack e a porta de entrada para isso tudo ainda é o álcool. A maioria de nossos usuários é dependente de álcool. E a partir disso, por motivo de curiosidade ou amizade, começam a entrar no crack, alguns fazem uso do mesclado – que é a mistura da cannabis com o crack – e essa dependência hoje na Paraíba é muito crescente, muito grande. A gente começa a ver isso pelo interior do nosso estado. E as pessoas se  viciam muito rápido.

O Guia Perverso para o Cinema

Slavoj Zizek é psicologo e um polêmico analista político da Slovênia. O Guia Perverso para o Cinema (The Pervert's Guide to Cinema, 2006) é uma abordagem analitica-psicológica sobre alguns dos filmes mais importantes da sétima arte, entre eles Psicose, Alien e O Grande Ditador. Com uma visão nada ortodoxa, Zizek produz uma obra que faz analisar e pensar o cinema de uma outra forma.

A Classe Artística da Feira Central

Por trás de uma barraca de carnes e miudezas, reside escondido nos interiores da Feira Central o ponto que antigos e novos boêmios, poetas anônimos de cantoria popular e cidadãos comuns freqüentam costumeiramente à procura de um pouco de diversão e despreendimento do dia-dia. Engana-se quem imaginou alguns dos famosos cabarés que deram contornos românticos de outrora e tons marginais atualmente. O local em questão é o Bar de Teresa. Estável naquele local já há um bom tempo, tão certo como missa dia de domingo, são os repentistas que descompromissados, vão ao local cantar suas redondilhas improvisadas à espera de um público minguado, na maioria das vezes compostos de amigos e colegas de profissão (e lógico, alguns bêbados desavisados), na mais complexa arte de musicar sem ensaio, melodias ternas e sinceras sobre causos e contos da vida cotidiana, em um ping-pong que nos fazem abrir um sorriso sincero frente às rimas construídas espontaneamente.
 
Vindos normalmente de uma criação sem fartos bens-materiais, sertanejos antes de tudo, muitos dos repentistas começaram suas vidas artísticas ainda quando crianças, tocando em bares e cabarés da vida acompanhando os país ou amigos nas bandas. Sem ensino fundamental sequer finalizado, aprenderam o oficio na mais simples arte da prática e do esforço mental. Diferente dos outros tempos, todos os repentistas hoje não tocam na aventura de ganhar um trocado e conseguir viver com esse dinheiro o resto do dia. Todos hoje, principalmente os mais velhos, são ou aposentados ou quando fazem apresentações, normalmente são em eventos patrocinados, onde tem sua verba garantida sem preocupação nenhuma se vai ser o suficiente ou não para comprar um prato de comida, como antigamente.

Enfurtados numa pequena sala de bar, vendendo CDs e DVDs com suas obras completas, esperando conseguir mais do que uma simples cerveja paga pelos clientes, digladiam-se dois repentistas entrando verso e saindo verso, embolados pelo som da viola que nos remetem às cidadelas do interior nordestino, contando e cantando folclores, amores perdidos e brigas enfrentadas, sempre em primeira pessoa, ora zoando ora louvando o outro seja pela sua bravura ou sua covardia no momento relatado. Simpáticos, seja pela conveniência de agradar o ouvinte ou pela natureza pessoal, tentam tornar o ambiente agradável, improvisando nas letras palavras de honra e carinho aos visitantes não acostumados ao ambiente novo.

Obs: Esse textículo é um breve relato sobre as impressões e rápidas conversas tidas com os repentistas da aérea no dia da minha visita a Feira Central de Campina Grande. O clima e o ambiente em desgaste da área preservam, acima de tudo, a dignidade dos artistas que tocam somente pelo prazer do ofício, sem grandes ambições artísticas.